Sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Li uma reportagem e uma entrevista na revista CartaCapital (edição 968) que confirmaram tudo o que eu pensava e por isso sepultou de vez qualquer esforço de boa vontade de esperança no governo do golpe parlamentar-constitucional-judicial obscurantistamente instalado na terra da Santa Cruz.

 

A matéria intitulada “Sinais de Resistência”, de autoria de André Barrocal, que noticia o nascimento da Frente Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional que mostra quem acredita ser possível refazer os rumos privatizantes, financistas e globalizantes do Brasil impostos pelo governo impopular de Michel Temer.

 

A matéria diz: “A política é dominada pelos ricos e estes não têm motivos para se queixar dos rumos. Boa parte da indústria tornou-se rentista, faz a festa no mundo das finanças sem fronteiras e arrancou de Temer uma reforma trabalhista barateadora do brasileiro”.

 

Diz ainda: “No Judiciário, sobram corporativismo, patrimonialismo e politicagem, outros entraves do debate sobre o futuro do País. Em suma, a depender da chamada elite, aquela que dá as cartas nos negócios e na política, fica tudo como está, para tristeza dos 207 milhões de conterrâneos, renda per capita de 1,2 mil reais mensais”.

 

E diz mais: “No Brasil, a financeirização do PIB chegou cedo e arrasou a indústria (em 1986 era superior a 30% do PIB e em 2014 foi apenas 10,9%), conforme relatório anual de 2016 da Unctad, agência da ONU para comércio e desenvolvimento. Há concentração de renda e alta do desemprego. Enche o bolso dos endinheirados e estes que mandam no Brasil, conforme descrição de Luiz Carlos Bresser-Pereira: ‘A classe liberal dirigente do Brasil é formada por rentistas, que vivem de aluguéis, juros e dividendos, e os financistas, que administram a riqueza dos rentistas”.

 

Já a entrevista foi dada a Dimalice Nunes pelo economista Ladislau Dowbor, professor titular de pós-graduação da Pontifície Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) que descreve em seu novo livro A Era do Capital Improdutivo, que, segundo o autor, à custa do endividamento dos trabalhadores.

 

Ele assegura que, enquanto o investimento produtivo rende 2%, as aplicações financeiras geram ao menos 7% de retorno. A consequência, diz ele, é concentração de poder, de renda e vulnerabilidade da democracia. E afirma: “Existe uma finança mundial, mas não existe um governo mundial”. E martela: “Se olharmos a conta do trabalhador, ele é explorado pela taxa de juros, pois, quando paga o dobro pelo que compra, é como se dividisse o salário pela metade. ‘Reduzir juros, é fechar a principal torneira por onde vaza o gasto improdutivo’”.

 

Dowbor diz que o quadro politico existente no Brasil, com um Congresso eleito por grandes corporações e um presidente com 5% de apoio da população, criou-se uma estrutura que inviabiliza o que é necessário fazer: nos debates internacionais, discute-se a criação de um imposto razoável sobre o capital improdutivo. No caso brasileiro, dentro de uma reforma tributária, uma vez que o rentismo fatura alto, mas os dividendos sequer são tributados.

 

Pelo exposto, não há como negar-se que o golpe estabeleceu um governo errado num Pais errado. Governo errado, porque são politicas publicas para ricos num País de maioria do povo com dificuldades ou pobre. País errado, porque quem haveria de precisar mais do governo é o pobre e não o rico. Assim, quem apoia tal estado de coisas comete deliberada injustiça - que até o caracteriza como egoísta ao extremo - ou desprovido de qualquer sentimento humanitário.  

 

Deusval Lacerda de Moraes é economista 

 


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