Raramente uma sequência cinematográfica alcança a mesma força de realização igual à primeira. É o que ocorre com Auto da Compadecida 2. Guel Arraes, um inteligente realizador, dividindo a direção com Flávia Lacerda, usou de sua capacidade de invenção, mas a coisa não funcionou devidamente.
Há muitos aspectos a serem considerados. Destacaria a óbvia falta de surpresa em relação à própria narrativa, que não conta mais com a perícia verbal de Ariano Suassuna, ainda que mantenha o imaginário criado pelo escritor pernambucano. Os dois sátiros estão lá, João Grilo e Chicó, que aliás, salvam algum ritmo da película pela robusta atuação dos atores Matheus Nachtergaele e Selton Mello. Porém, faltou texto, e os contextos foram enchimentos algo forçados.
Mesmo com o pacto ficcional, o roteiro titubeia em soluções desarrazoadas. Reconheço que tecnicamente há algo a considerar: cenografia, cenas de animação, trilha. Contudo, o Auto da Compadecida 2 padece, e o segundo ressuscitamento de João Grilo não operou milagre.
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Feliciano Bezerra é professor doutor da Uespi - nas redes sociais.
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